Como cobrar pela notícia online?

O jornalista e professor Carlos Castilho escreveu sobre a receita básica para cobrar por notícias online. Relatou impressões da leitura de dois artigos do também jornalista e professor Bill Grueskin, norte-americano, ex-editor executivo do The Wall Street Journal.

Das impressões de Castilho, baseado nos textos de Grueskin, copiei os seguintes trechos (se você quiser ler o original diretamente, clique aqui):

“Se as versões online dos jornais resolverem publicar o cálculo das passagens de ônibus, a relação dos melhores professores do município, o ranking dos restaurantes da cidade ou a lista de queixas no hospital local, seguramente vão encontrar leitores que paguem” (Grueskin).

“Dificilmente um leitor comum pagará pelo acesso a um site jornalístico para saber o resultado de um jogo, a previsão do tempo, cotação do dólar ou horário de trens. Também não pagará para ler sobre o escândalo político da semana em Brasília ou mais uma apreensão de droga pela policia. Estas são informações que ele consegue grátis em dezenas de sites da Web” (Castilho).

“Os jornais argumentam que a produção de notícias tem custos e que os internautas deveriam pagar pelo acesso, da mesma forma que os compradores da versão impressa. Quase todos os jornais que resolveram cobrar pelo acesso ao seu noticiário online se deram mal e voltaram atrás” (Castilho).

“A segmentação (na web) permite a publicação de notícias destinadas a públicos específicos que têm necessidades informativas também específicas e que estariam dispostos a pagar por elas” (Grueskin).

“O caso está sendo considerado a principal evidência de que a política editorial vigente na maioria dos jornais espalhados pelo mundo está fadada ao fracasso porque ignora o novo contexto informativo criado pela internet. Este é um desafio às redações e principalmente aos valores e rotinas que as orientaram pelos últimos 50 anos” (Castilho).

Há duas questões-chave em jogo: 1) a necessidade de desatrelar a sustentabilidade de um projeto online da publicidade; 2) a necessidade de redescobrir o local e os nichos de público para identificar demandas informativas não convencionais (Castilho).

Castilho acredita que mesmo sendo o custo de publicação de uma página online infinitamente menor do que o de imprimir e distribuir um jornal impresso, haverá necessidade da publicidade pagar pela produção e distribuição da notícia na web. Afirma: “a cobrança torna-se inevitável”.

E segue: “se ela é inevitável, não há como sobreviver sem produzir notícias que as pessoas aceitem pagar, assim como há milhares de compradores de músicas online”. Fazem porque o custo é muito baixo, diz o jornalista. Para Castilho, “a receita está na Cauda Longa e na segmentação do noticiário em nichos de público”.

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